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Monday, November 13, 2006

Piratas das Caraíbas.... Captain Jack Sparrow



Um dos grandes filmes de acção, que fica incompleto na espera do terceiro. Jack Sparrow, grande capitão, vamos ver como se safa o nosso pirata no próximo filme. ;)

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Wednesday, November 01, 2006

Jornalismo cidadão

A Internet expande-se de forma vertiginosa a todos aqueles que simplesmente querem nela participar. A Internet é o único meio de comunicação que permite a qualquer pessoa expôr ideias, trabalhos, dar o seu contributo da forma que achar melhor. E por isso, é o meio que concerne uma multivariedade de informação, de modos de transmitir essa informação, e varia também na qualidade dessa informação.

Há quem considere que os meios de comunicação tradicionais estão a ter uma linha de qualidade de conteúdos decrescente, enquanto que a Internet pode vir a ser O meio capaz de fazer frente a essa linha decrescente. Há quem veja a Internet como O meio em que devemos apostar para transmitir informação de qualidade, para melhorar o jornalismo cada vez mais, para, em vez de se tornar um inimigo dos media tradicionais, incitar neles a vontade de reconsiderar o tipo de jornalismo que se faz, tendo em conta o grande adversário que, à letra, os mete a todos no bolso. Sim, porque através da Internet, podemos ter acesso a todos os outros meios de comunicação.

Também há quem veja a Internet como um meio de informação misturada e sem qualidade, tendo em conta que qualquer pessoa leiga em determinado assunto, pode vir a expôr a sua “tese” sobre isso, de um modo muito credível e então induza os leitores em erro. Mas isso é talvez o maior senão da Internet, o maior “espinho” que ela pode ter, e a solução para isso é, não tanto desistir de usar a Internet para recolher informação, mas desconfiar e ter uma atitude crítica em relação a ela, procurando confirmar sempre a informação que dela retiramos.

Uma vez que a Internet dá essa oportunidade aos leitores, de se tornarem,sem qualquer dificuldade, informadores daquilo que pensam ou de dados reais sobre qualquer assunto, a questão é saber se eles podem ou não ser considerados cidadãos jornalistas por fazerem da Internet o seu meio de transmitir informação como verdadeiros jornalistas. Existem opiniões diversas sobre o este assunto: há quem veja o jornalismo cidadão de forma positiva porque complementa a acção dos jornalistas e por vezes, ultrapassa-a na qualidade; há quem veja este tipo de jornalismo de forma negativa, tendo em conta que o simples cidadão não pode dizer-se jornalista só porque transmite informação aos outros, sem ter tido educação para tal e o faz de qualquer forma, isso seria subestimar o trabalho de um verdadeiro jornalista que estudou para o ser; há ainda quem pense que este não é o nome que deve ser dado a quem faz algo parecido com jornalismo através das informações que consegue e depois expõe, ou seja, louva-se a atitude e analisa-se o tipo de acção tendo em conta se é ou não de boa qualidade, melhor ou pior do que acção de um jornalista profissional, mas não se lhe pode chamar de “jornalismo” propriamente dito-caso contrário todo e qualquer cidadão que se ache capaz de transmitir notícias e até ache que o faz bem, autoconsiderar-se-ia jornalista.

Assim, comecemos por analisar a opinião de alguém que vê o jornalismo cidadão como algo positivo. Dan Gillmor, um conhecido colunista do San Jose Mercury News e também bloguista, expõe a sua ideia sobre o assunto no livro We, the media. Gillmor acredita na Internet como um meio de comunicação novo e muito rico, que nos pode vir a dar muito mais do que qualquer outro media. Para Dan Gillmor, o jornalismo dos media tradicionais está cheio de vícios, estagnado e já não consegue renascer para a nova sociedade, mais moderna e que precisa de jornalismo sério e bem feito. Além disso, a relação do público com os media antigos é de comunicação unilateral, isto é, os meios de comunicação fazem algo a que Gillmor apelida de “palestras”, injectando informação para uma “massa” passiva que não reage, não critica, não questiona, não procura, não contesta. Com a Internet, essa forma de jornalismo dos media tradicionais não resulta muito, porque a sociedade tem um acesso mais rápido e fácil a mais informação, qualquer pessoa pode mostrar o que pensa, dar opinião, seleccionar informação mais facilmente, aceder a um número indefinido de páginas e sites. Outros meios de comunicação nunca teriam controle sobre isso. Para esta situação, haveria duas atitudes possíveis a tomar de parte deles: tentar lutar contra o “novo rival”, a Internet, ou aliar-se a ela, na perspectiva de procurar usufruir dela para não perder “clientes”, mas ao contrário, angariar mais.

Dan Gillmor vê nos blogs a forma mais pertinente de qualquer pessoa, independentemente de todas as suas características, aceder ao mundo online. Sem estar na posse de nenhum meio antigo de produção, qualquer um pode criar um blog em minutos e utilizá-lo para, como hoje se diz frequentemente, “fazer jornalismo”, expressão que irrita muito os profissionais do ramo, porque inclui numa área que até então só eles detinham, qualquer cidadão capaz de informar a partir do seu blog. Por isso, mesmo quando o simples cidadão informa com qualidade e procura fazer do seu blog uma fonte fidedigna e séria, os jornalistas profissionais tentam a todo o custo desprestigiar esse trabalho, procurando através dessa atitude, valorizar o seu trabalho.

Ao contrário, Gillmor humildemente valoriza esse trabalho do cidadão, mesmo sendo profissional da mídia: “Parto do pressuposto que meus leitores sabem mais do que eu: eles são em maior número – eu sou um só”. Para Gillmor, o jornalismo feito por mais pessoas, mais opiniões, mais cabeças a pensar e a discutir, pode vir a ser muito melhor do que o jornalismo dito profissional. Se pensarmos no 11 de Setembro, no Tsunami, ou nos atentados em Londres, chegámos à conclusão que, enquanto os media tradicionais não actualizavam as informações, já circulavam pela Internet vídeos amadores, fotos, áudios, novas informações sobre os acontecimentos.

É por isso que Dan Gillmor vê com bons olhos e de forma positiva o jornalismo cidadão, achando que os profissionais devem tirar partido do que encontram a esse nível, e a partir daí, não tentar desvalorizar esse trabalho, mas procurar melhorar o seu próprio trabalho, vendo no facto de haver “amadores” com tanta ou mais qualidade do que eles na transmissão de informação, a obrigação de ser melhor. (1)

Outro apoiante do jornalismo cidadão é Jay Rosen, webloguer e autor do livro What are journalists for?, onde fala sobre o aparecimento desta “nova forma de jornalismo”. Rosen vê a blogosfera de uma forma muito positiva, olhando os bloguistas, escritores de notícias, como elementos da mesma familia de um jornalista a sério, quando afirma, no seu blog: “Journalism is a part of that struggle, the simplest act of which is recording the events of the day. So a journal writer has origins in common with a journal-ist. They are members of the same communication family. And this is one reason that weblogs, which the press calls “online journals,” are an event within journalism—the practice of it, as well as our ideas about it.” (2)
Ainda cita James W. Carey considerando que o jornalismo é o nosso diário, o nosso diário colectivo, que retrata a vida comum.
«“Journalism,” James W. Carey tells us, “takes its name from the French word for day. It is our day book, our collective diary, which records our common life.” To record the events of the day is equally the aim of the newsroom and the diary writer” » (2)

Jay Rosen vê os blogs como uma forma de trabalho jornalístico, o que nos dá a entender que não condena o simples cidadão que se acha capaz de fazer trabalho jornalístico, sem formação profissional, através do seu blog, podendo vir a ser algo bastante interessante, tendo em conta a corrente de informação e exposição de questões que daí advém. Isto porque Rosen acha muito positiva e necessária a interacção entre bloguistas : “A weblog can “work” journalistically—it can be sustainable, enjoyable, meaningful, valuable, worth doing, and worth it to other people —if it reaches 50 or 100 souls who like it, use it, and communicate through it. Whereas in journalism the traditional way, such a small response would be seen as a failure, in journalism the weblog way the intensity of a small response can spell success. A weblog is like a column in a newspaper or magazine, sort of, but whereas a column written by twelve people makes little sense and wouldn’t work, a weblog written by twelve people makes perfect sense and does work. In journalism prior to the weblog, the journalist had an editor and the editor represented the reader. In journalism after the weblog, the journalists has (writerly) readers, and the readers represent an editor. In journalism classically understood, information flows from the press to the public. In the weblog world as it is coming to be understood, information flows from the public to the press. Journalism traditionally assumes that democracy is what we have, information is what we seek. Whereas in the weblog world, information is what we have—it’s all around us—and democracy is what we seek.” (2)

« (…)” Community conversation feeds professional journalism. Journalism feeds conversation.” And around, and around. I think there is something to that idea.How well it works is for people in Bluffton to address. I like that Bluffton Today tried to go Lessig on the news industry. It ditched the read only platform and re-built on read/write. Yelvington said at the launch: "Everyone gets a blog. Not just staffers, but everyone in the community. LeMonde (France) and the Mail and Guardian (South Africa) are doing this, too." Giving everyone a blog may be an obvious idea. But it's a different track. "Everyone gets a photo gallery. Everyone can contribute events to a shared public community calendar...." The site was built on Drupal technology. It had free classifieds. It was different. "It isn't tired, boring, traditional journalism. It isn't the straight and narrow of blogs, either. It's important to look at both sides..." I agree with that, Stick. My new adventure, NewAssignment.Net, is a hybrid site for that reason. (Pros and amateurs collaborate on reporting projects.) In January of 2005 I wrote Bloggers vs. Journalists is Over for the same reason.” (3)

Rosen acredita na união entre os dois lados da comunicação social: jornalismo tradicional e o “novo”, se é que lhe podemos chamar assim, tendo em conta a nova vertente tecnológica. A luta entre jornalistas e bloguistas acabou, é o que ele diz, porque devem complementar-se e tirar partido uns dos outros, já que a conversação e o jornalismo profissional estão interligados.

J.D. Lasica é escritor e bloguista, e também expôe as suas ideias sobre o jornalismo cidadão, a mídia e tudo o que os rodeia. “Citizen journalism is not the future, it's the present.”- frase de Michael Tippett, founder of NowPublic.com., citada por Lasica. O que sera que Lasica vê de positivo nesta nova forma de jornalismo, que ele considera já tão presente? O escritor dá o exemplo do 11 de Setembro ou dos atentados em Londres, em que vários cidadãos deram o seu contributo com imagens retiradas com os telemóveis, vídeos, etc. O que mudou desde então? Para Lasica, a diferença hoje é que esse contributo é usado pela mídia, como contributo noticioso, e muito importante para o jornalismo, que não consegue estar em todo a hora, a todo o momento. Claro que se trata, como diz Lasica, não de ser um “profissional”, mas de estar no momento certo à hora certa, para captar acontecimentos inesperados. « Like Yelvington, Tippett believes that citizens don't need to learn traditional journalistic practices as they pick up the mantle of multimedia reporting. “Often, it's just about being an accidental bystander, being in the right place at the right time. The truth reveals itself as you record it as an eyewitness.” ».
A grande diferença é o facto dos cidadãos usarem hoje o que descobrem, o que captam, para fazerem eles próprios a notícia. “We're trying to make people come out of their gates and become players. We want a participative culture to evolve.” – Lasica citando Steve Yelvington, analista do Morris Digital Works. Lasica acha que não se trata tanto de incitar o cidadão a fazer “jornalismo” mas de o incitar a exprimir-se de forma mais active perante o que se passa. «Instead, the Bluffton Today site gave people free blogs and the ability to post their pictures to galleries. While other citizen journalism sites like the Bakersfield Californian's Northwest Voice and the Denver Post's YourHub try to coax citizens into producing "something that looks like journalism," Yelvington says, Morris's approach here has been "more conversational and less bound by assumptions about what the end result should be." As a result, it's less about journalism and more about empowering community members to express themselves. »
Lasica considera esse envolvimento do cidadão no mundo jornalístico de forma participativa algo fascinante e menos formal do que as ditas notícias, como é visível nos blogs criados: «Rather than seeing the traditional formulaic approach of news stories or news releases, readers are seeing writings by people like the local high school principal quickly evolve into "that comfortable, informal, conversational style you see in blogs." »
"The big news organizations always say, we have journalism school grads and Pulitzer Prize winners and people trained in the craft. Fair enough, but you have two people on the story, and we already may have 20 or 50. What happens when we have 2,000 people covering that story? There will come a point where they can't compete,", palavras de Tippett, citado por Lasica.
Mas há algo que o escritor considera ainda mais relevante, ainda mais importante no jornalista cidadão. Ele transmite a notícia, não com a impessoalidade do jornalista professional, que testemunha ou relata, mas não vive, mas com a emoção de quem passou pelas coisas, de quem viu, de quem sentiu, de quem esteve lá. È algo bem diferente, muito mais realista - « Another strength of citizens' news is the removal of the journalist as an impersonal, detached observer. “This is the real reality news,” Tippett says. “People are uploading videos and publishing blog entries, saying, 'Let me tell you about my husband who just died.' It's a very powerful thing to have that emotional depth and first-hand experience, rather than the formulaic, distancing approach of the mainstream media.” (…) Eventually, people in hundreds and thousands of communities will be reporting about themselves. »

Em jeito de conclusão, o escritor afirma seguramente que o mundo das notícias não é mais uma área privada e inacessível. O jornalismo cidadão será, não a excepção, mas a regra, haverá cada vez mais cidadãos “invadindo” o mundo jornalístico, e quem sabe, de forma muito positiva -“The news isn't a private club anymore. Soon, citizen journalism will be not the exception but the rule. Most news will come directly to readers and into newsrooms from people on the scene.” (4)

Ao contrário de todas estas perspectivas, há quem veja o jornalismo cidadão pelo lado negativo, como um “insulto” ao profissionalismo dos jornalistas. Paul Scrivens, analista informático, é um deles. Paul não vê os blogs como um novo tipo de jornalismo, reconhece apenas que se têm tornado uma forma comum de qualquer pessoa facilmente expôr as suas ideias e opiniões. Mas o problema é fazerem-no, muitas vezes, sem procurarem saber se o que dizem está de acordo com a realidade e por isso, os blogs não podem ser tidos como fontes seguras de informação. Portanto, para Paul todo o conteúdo dos blogs não pode ser olhado como verdadeiro jornalismo.(5)

Dan Rosenbaum, bloguista, trabalhou no United Press International, e considera também que os blogs não são sinónimo de jornalismo. Rosenbaum acha que não é por ter fácil acesso à Internet e rapidamente conseguir criar algo que permita expôr às pessoas tudo o que vai na mente de cada um, que toda a gente pode ser jornalista. Não por ter a ferramenta que qualquer pessoa pode exercer a profissão, como não é por um músico ter acesso a todos os instrumentos que se pode dizer músico. Não é por ter um piano em casa que sou pianista. É preciso saber tocar. Para o jornalismo é a mesma coisa. Não basta o acesso ao blog. Não basta saber criá-lo, não basta até ter um gravador em casa, o lápis e o papel, ou o teclado do computador. “Just as the equipment doesn’t make me a musician or a programmer, blogging doesn’t mean you’re a journalist”. Para um blog se tornar em blog jornalístico, teria de ser escrito por um jornalista, ou teria de ser muito bem confeccionado pelo cidadão comum, bem informado, capaz de certificar a verdade, para dar aos seus leitores informação de qualidade.

Mesmo assim, Rosenbaum não desmotiva os cidadãos a criarem blogs, mas alerta-os para a consciência de que não estão a ser jornalistas só por o fazerem. “You want to use weblogs to do journalism? Go for it. Pick a story. Advance it every day, every hour. The infrastructure of blogspace will help you get the word out. If you've picked the right story and you're good enough at advancing it, your work will bubble up. And if you're the first blogger to get cited on A1 of the NYTimes, glory be. Just remember: it's not as easy as it looks.” (6)

No meio de tudo isto, é por vezes difícil estar segura de uma opinião segura. Mas eu penso que, tal como diz Rosenbaum, o facto de hoje em dia todo o cidadão ter acesso às mais variadas formas de expôr através da Internet, tudo o que pensam, as suas vivências, os seus trabalhos, (tal como nós, estudantes de jornalismo, fazemos), seja o que for, mesmo que procurem postar notícias, ou opiniões sobre o que acontece no mundo, isso não lhes dá título de Jornalista. Caso contrário, andaríamos nós a tirar um curso desnecessáriamente e então utilizaríamos o dinheiro das propinas nos meios que nos permitem fazer jornalismo e somente nisso, e poderíamos autoconsiderarnos jornalistas. Não, não penso que seja dessa forma, até porque, sem a formação que temos no curso, eu acho que não é possível ser-se completamente profissional, por muito que que até se escreva bem, ou se tenha uma boa cultura. Jornalismo, só porque não foi dos primeiros cursos a nascer, só porque começaram por ser cidadãos comuns a exercer a profissão, não significa que hoje não esteja modificado, melhorado, aperfeiçoado, exigente, ou que não necessite de pessoas deviadamente competentes. Exactamente como não é um cidadão comum que passa atestados médicos.

Eu penso que o cidadão deve sim usufruir das oportunidades que a tecnologia dá e expôr tudo o que pensa. Se quer tentar aperfeiçoar o seu trabalho, então talvez deva informar-se sobre o trabalho jornalístico e tudo o que ele exige, e é de valorizar sempre um bom trabalho mesmo que não pertença ao jornalista. Mas isso não significa que seja jornalismo no sentido profissional da palavra. Talvez o problema seja mesmo o nome que dão a essa nova forma dos cidadãos demonstrarem o que pensam através da Internet – jornalismo cidadão.



1 - Dan Gillmor
http://www.editpresenca.pt/imprensa_detalhe.asp?id=205
http://www.dangillmor.com/
2 - Jay Rosen http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2004/03/08/weblog_demos.html
3 - Jay Rosen
http://interviews.slashdot.org/article.pl?sid=06/10/03/1427254
4 - D.J. Lasica
http://www.ojr.org/ojr/stories/090805lasica/
5 -Paul Scrivens
http://blog.squarespace.com/blog/2005/1/13/blogs-vs-journalism.html
6 - Dan Rosenbaum
http://www.danrosenbaum.com/writing/journoblogs.html

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Monday, September 25, 2006

Jornais Portugueses

O Jornal online português que escolho para falar é o semanal Expresso. Destaco-o entre alguns jornais portugueses, a nível de conteúdos mas também na sua forma, tendo em conta os elementos base da qualificacão de um jornal online.

Começando por compará-lo a outros jornais portugueses, a nível de usabilidade e design, não se distancia muito deles. A estrutura e o modo de organizacão é idêntico bem como o design. Seguem todos a mesma linha, títulos, textos e fotografia a ilustrar. O expresso não foge muito à regra, mas oferece mais coisas, a nível de multimedialidade e originalidade na interacção com o público. Por exemplo, possui alguns vídeos disponíveis, podcast, fotogalerias. Falando em interactividade, podemos considerar que cria bastante, oferecendo foruns e blogues, onde não é necessário ser-se assinante pago, ou mesmo através do barómetro, onde os leitores podem votar para dar a sua opinião acerca de uma determinada pergunta. Aparecem mesmo alguns blogues na primeira página para incitar os leitores a divulgar a sua opinião, deixando comentários. O leitor tem lugar neste jornal online.

Falando a nível de hipertextualidade, não posso deixar de focar o facto de na primeira página haver um link directamente para o site da SIC. Há vários links para outras páginas dentro do Expresso, para quem deseja aprofundar um ou outro tema ou registar-se em algo. Há também links de acesso a outros sites do clix ou mesmo a sua homepage.

No entanto, mesmo tendo escolhido um jornal online português que se destaca dos outros, não é possível compararmos a alguns jornais estrangeiros, nomeadamente americanos. Há uma grande distância dos nossos para os outros, basta pensarmos nos elementos que lhes conferem prestígio. A nível de design é de notar que, enquanto os jornais portugueses nao diferem uns dos outros no estilo, os americanos conferem a cada jornal um design próprio, original, criando-o de acordo com o seu conteúdo, mas diversificando na forma. Mas mesmo assim, conseguem não tornar os seus jornais online complexos ou demasiado confusos na sua apresentação. Ou seja, o nível de usabilidade permanece o mesmo, há facilidade na acessibilidade e navegação.

Quanto à multimedialidade, nem sequer há termo de comparação. Os jornais americanos dão preferência à informação através de vídeos, filmes, slide shows, audio slide shows, aliando isso ao contacto com o leitor, a interactividade. O leitor sente que pode ficar horas ou dias a navegar num só jornal online sem nunca ver a mesma coisa, mas ao mesmo tempo, conseguindo através de links, voltar ao início com alguma facilidade. Os jornais portugueses oferecem informação pelo meio mais básico, através de texto e fotografia, o que torna o jornal monótono e desanima quem o visita. Não mostra preocupação na variedade de multimedia e mesmo que surja algum vídeo ou filme, não tem a acessibilidade dos americanos, nem a qualidade, nem suscita o mesmo interesse.

Apesar da hipertextualidade de alguns jornais portugueses, neste caso o Expresso, é de notar a diferência nos sites a que este se liga e a que outros americanos se ligam. Há muito mais links para sites de publicidade nos jornais portugueses do que para sites de interesse informativo ou noticioso, embora também existam vários links para complementar informação. Penso que a nível de interactividade os jornais portugueses não estão assim tão longe do que se pretende, porque têm espaço para dar as suas opiniões e visitar blogues de pessoas conhecidas, ou mesmo entrar em fóruns para discussões, tal como em jornais noticiosos americanos.

Seria necessário uma grande evolução, também muito a nível de conteúdos informativos, para chegar à qualidade de um dos jornais americanos que já visitámos. Se temos jornais que fazem jornalismo noticioso sério, também temos outros que parecem fazê-lo, mas não perdem oportunidade de se deixar cair no sensacionalismo, procurando cobri-lo com outras notícias. Contudo, continua-se a abordar alguns temas e problemas de forma muito mais superficial do que o verdadeiro jornalismo deve fazer. Devemos tentar seguir o exemplo daqueles que conseguem atingí-lo ou pelo menos tentam ao máximo. O melhor exemplo, nunca o pior.

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Sunday, September 24, 2006

Opinião

Se fosse eu, na minha humilde opinião, a premiar um dos jornais online seleccionados pela Online News Association, escolheria, dentro da categoria General Excellence in Online Journalism (Large), o "MSNBC".

Tendo em conta os cinco parâmetros base para a escolha do jornal premiado, verifico que, embora a escolha tenha sido difícil, o"MSNBC" parece conciliar todos os aspectos da melhor forma.

Em primeiro lugar, considero que o jornal consegue ter um design aliado a usabilidade. Não é complicado de se usar nem confuso ao olharmos. É visualmente bonito e simples, de forma que não nos sentimos perdidos no meio de tanto texto e imagem. Conseguimos perceber rapidamente a sua organização.

A nível de multimedialidade também é completo, estando bem destacada por exemplo a parte dedicada só aos videos, mas tem também slideshows visíveis logo na primeira página. O texto é normalmente acompanhado de várias fotografias. É impossível não focar o convite a uma visita virtual onde se vê a uma cidade distruída pelo Katrina, e ainda temos a possibilidade de, clicando num link, ficar a saber como foi feita essa captação de imagens.

Há também espaço para os leiotores que quiserem dar a sua opinião, escrevendo para o email do editor (basta clicar no link) ou mesmo através de links dentro do site, postando comentários acerca de variados temas. Também é possível visitar blogs de personalidades e ficar a saber as suas ideias.

Tem grande hipertextualidade, de tal forma que rapidamente nos perdemos clicando nos vários links que possui, naturalmente relacionados com o texto, ou levando-nos a cingir a um determinado tema ou visitando outras páginas. No entanto também está estruturado de forma a ter sempre uma coluna de opções que se mantém sempre, para quando quisermos voltar ao início ou mudar de tema possamos fazê-lo de forma mais rápida.

Dentro da categoria "Breaking News", escolheria NYC Transit Strike", New York Times. Sem duvida que é duma fácil acessibilidade, uma vez que mal abrimos a página nos apercebemos do modo como as coisas estão organizadas:dum lado uma coluna com alguns items (News,Opinion,Features,Member Center,Newspaper),com subcategorias nas quais podemos clicar consoante o que mais nos interessa; do outro lado, duas colunas cujo título é Multimedia, e dentro, em destaque, alguns slide shows, audio slide shows, acesso a fotografias... No centro,algumas notícias. É fácil de usar, e nada confuso, mesmo a nível de design.

Quanto à multimedialidade, contém de tudo. Slide shows, audio, fotos, filmes, videos, cartoons.. Uma infinidade de multimedia de fácil usabilidade para quem visita.

Os leitores também têm espaço aqui. Há links para quem deseja dar a sua opinião como leitor ou mesmo ficar a saber opinião de editores. Há a parte do Member Center, onde os leitores têm um espaço so seu, após registarem-se.

Hipertextualidade também está presente, podemos ficar horas a clicar e a navegar de uns links para outros (por exemplo,há links para colunas de escritores,no tema Opinion,ou links para notícias da BBC Radio no tema World).

Na categoria de Outstanding Use of Multiple Media, sem dúvida escolheria "Going Down the Crooked Road",Roanoke.com. Prima pela originalidade a nível estético, design e pela sua grande focagem na multimedialidade em detrimento do texto. Bem organizado, e de fácil usabilidade é sobretudo pela diversidade de imagens, videos, fotografias, desenhos, audio, música, optando por usar o texto apenas quase como legendas ou curiosidades. De todos, é o que usa menos o texto, e o que usa os elementos multimedia com mais originalidade, facilidade de acesso e é visualmente simples.

Por outro lado não tem muita hipertextualidade, não interliga a outras páginas, talvez mesmo só o link para Read Stories. E também não cria espaços ao leitor para dar a sua opinião, por isso descura na interactividade.

Na categoria "Student Journalist", embora tenha sido difícil decidir, escolheria "My Blue Eyed Girl", Heather Gehlert, School of Journalism, University of Berkeley. Prima pelo desing bonito, original e a condizer com o conteúdo. Prima pela facilidade e rapidez com que conseguimos utilizá-lo, sem nos sentirmos muito perdidos ou confusos. Prima pelas imagens com que nos deparamos logo de início, que nos conduzem a videos, se clicarmos, com som, em vez de texto, a dar a informação. Organizado por temas, o leitor consegue seguir um fio condutor pela história quer seja através das imagens ou dos textos que as acompanha, ou dos videos que impressionam. Apresenta também alguns factos através de gráficos. Há, por isso, uma grande diversidade que surpreende quem visita. É a simplicidade no uso e a multimedialidade que mais sobressaem.

Quanto à hipertextualidade, restringe-se a links internos, não cria possibilidade de conhecer outros sites. E a nível de interactividade também não se destaca porque não dá possibilidade ao leitor de deixar comentários ou mensagens a propósito.

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Thursday, May 11, 2006

Florbela Espanca – “Ser poeta é ser mais alto”


Florbela Espanca foi uma poetisa de enorme emotividade, de sentimentos confusos, mas muito fortes, cuja escrita era nitidamente necessidade de expulsão de sensações a que ela não soube bem dar o nome. Mas poucos são aqueles que hoje conseguem também descrevê-la grandiosidade e multiplicidade de vivências que ela estampou no papel camufladas pela sua eloquência.

Desde pequena fazia versos que, embora com erros ortográficos irrelevantes, ultrapassavam muito a sua suposta inocência infantil. Desde então deu início à constante procura de respostas para as pressões do inconsciente, que a foram conduzindo a uma permanete angústia de nunca conseguir expressar-se ao nível da sua alma e dos impulsos que a dominavam. O grande crítico de Florbela, José Régio, confirma-o, quando diz: “...Nem o Deus que viesse amá-la, sendo um Deus, lograria satisfazer a sua ansiedade...”

Porque para ela as suas manifestações poéticas nunca tocavam a verdadeira maré dos seus sentimentos, a sua independência e isolamento eram notáveis, tendo em conta o seu desinteresse pelas correntes literárias que circulavam pelo país e pelo mundo. Havia quem chamasse a isso egocêntrismo, protagonismo, egoísmo, narcisismo. E, no fundo, também o era. O vulcão de paixões inefáveis que teimava em fazer estremecer Florbela resultava na expressão duma alma de poeta feminina como nenhuma outra o foi, que, através do narcisismo, da sua própria imagem, procurava viver tudo com a maior intensidade possível concentrada em si mesma.

Como refere José Régio, mais uma vez: “...viveu a fundo esses estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atingem tão vibrante expressão...” Também relativamente ao feminino: “...Também de certo aparecem na nossa poesia autenticas poetisas, antes e depois de Florbela. Nenhuma, porém até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional, e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano...tão expressivamente feminino...”.

Entenda-se que a alma de Florbela procurava sentidos para encontrar-se em algo que lhe desperte a emotividade e sensibilidade por meio do amor, pois ele é como uma energia erótica para Florbela, que a dividia entre o desprendimento e a entrega, reflectidos ambos nos seus poemas. Seria uma pequena ilusão encontrá-la de forma permanente no sexo oposto, mas a sua sede de paixões leva-a a procurar a solução para a sua ansiedade interior nos homens, desiludindo-se sempre nos três casamentos desfeitos em 15 anos apenas. Só este facto já é um espelho da insatisfação e procura de algo semelhante a um “nirvana” que entravam em rebelião dentro dela.

Compreende-se o anúncio insistente da procura, e também as formas sinceras de imaginar tal encontro como formas de amor, ou na imagem do seu feminino, ou nas tentativas de ternura, ou na sua rebeldia. E isso é a poesia de Florbela, anunciação da insatisfação por não encontrar-se. E uma vez que só se compreende um poeta após a interpretação da sua obra, conseguimos fazer da análise da poesia de Florbela Espanca um reflexo do seu perfil tão único, tão genuíno e complexo, que ainda hoje nos suscita curiosidade e admiração.

“Ser poeta é ser mais alto” e lá de cima vê-se muito melhor.

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Tuesday, May 02, 2006

Deputados pára-quedistas sem asas?

Os deputados eleitos por destritos longe do local onde residem - os chamados “deputados pára-quedistas” – podem ter que passar a declarar as suas viagens ao Parlamento.

O objectivo, debatido hoje na Assembleia da República, é um maior controlo dos subsídios que os deputados recebem para as suas deslocações aos destritos dos seus eleitores, mas que nem sempre utilizam dessa maneira - note-se o caso de José Raul dos Santos e José Freire Antunes que nunca foram ao local pelo qual foram eleitos e recebem como se o fizessem.

Segundo esta iniciativa, o deputado passaria a prestar uma declaração sempre que fosse em viagem até ao seu círculo eleitoral, sendo retirado o subsídio de deslocação do seu salário mensal.

A ideia conta com o apoio do PSD, que visa diminuir “viagens-fantasma” de supostos “deputados pára-quedistas”, embora reconheça que é difícil, e concorda que seja exigida uma declaração assegurada apenas pela palavra do deputado, uma prova de confiança.

Já o PS considera que o sistem actual não cria problemas, também porque não se trata de quantias muito relevantes, e que é natural os deputados precisarem de sustento monetário para as suas viagens eleitorais. Portanto, para o PS é desnecessário que os eleitos prestem contas já que os tem como suficientemente responsáveis no que respeita à sua actividade parlamentar e função pública.

Esta nova medida administrativa vai ser devidamente estudada no Conselho de Administração do Parlamento esta semana.

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Friday, March 24, 2006

A resposta que esperavam...

O que é um RSS?

O RSS é amplamente utilizado pela comunidade dos blogs para compartilhar as suas últimas novidades ou textos completos e até mesmo arquivos multimedia. O RSS é usado agora para muitos propósitos, incluindo marketing, bug-reports, e qualquer outra actividade que envolva actualização ou publicação constante de conteúdos.

Nas páginas Web os feeds RSS são tipicamente indicados por um rectângulo laranja, com as letras XML ou RSS.

O que são Wikis?

Os Os termos Chamado "wiki" por consenso, o software colaborativo permite a edição colectiva dos documentos usando um simples sistema e sem que o conteúdo tenha que ser revisado antes da sua publicação.

Wiki (com um 'W' maiúsculo) e WikiWikiWeb são por vezes usados para se referir ao Portland Pattern Repository, primeiro wiki.

Um WikiWikiWeb permite que documentos sejam editados colectivamente com uma linguagem de marcação muito simples apenas através da utilização de um navegador Web. Dado que a grande maioria dos wikis são baseados na Web, o termo wiki é normalmente suficiente. Uma única página num wiki é referida como uma "única página", enquanto que o conjunto total de páginas, que estão normalmente altamente interligadas, chama-se 'o wiki'.

Uma das características definitivas da tecnologia wiki é a facilidade com que as páginas são criadas e alteradas - Geralmente não existe qualquer revisão antes de as modificações serem aceites, e a maioria dos wikis são abertos a todo o público ou pelo menos a todas as pessoas que têm acesso ao servidor wiki. Nem o registo de usuários é obrigatório em todos os wikis.

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